segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Opinião - Animais comunitários: dever e direito de todos!

Deputada Estadual e primeira-dama
de Porto Alegre, Regina Becker Fortunati
A irresponsabilidade, raiz do descaso e dos grandes problemas da humanidade, entrega aos outros os problemas que (também) são de todos nós. Neste aspecto a proteção animal é peculiar e valorosa: se disponibiliza a ajudar e doar seu incansável e abnegado trabalho ao poder público em prol do bem-estar dos animais, e, em troca, pede que apenas o amor e respeito aos nossos amigos bichos.

A denúncia dos cães, que estariam atacando pessoas na cidade de Camaquã é de competência de todos e precisa do envolvimento da comunidade para que o problema seja minimizado e traga benefícios tanto para as pessoas, quanto para os cães. A lei estadual 13.193/2009 institui direitos aos animais comunitários e a permissão para que fiquem nas ruas. Mas o bom senso acaba, muitas vezes, resolvendo nossos problemas sem precisar de acordos jurídicos ou a força da lei. O fato é que os animais estão na rua, porque ali foram abandonados por seres humanos. É na rua que a maioria deles procria, sobrevive, sofre a indiferença e conta com a generosidade de poucos que não conseguem ser insensíveis à fome, a solidão e a vida.


Agir em conjunto com a rede de proteção animal da cidade, não deixando-os passarem fome, sede, promover campanhas de castração - método que comprovadamente ajuda no comportamento do animal e evita procriação - adotar ou fazer casinhas comunitárias, com certeza ajudam a minimizar os problemas que vêm ocorrendo em Camaquã. Empurrar a dificuldade, disseminar o pânico desnecessário e compartilhar notícia sensacionalista, não ajuda, apenas atrapalha.

O Brasil tem hoje mais de 30 milhões de animais abandonados, só em Porto Alegre tem em torno de 4 milhões domésticos. Foi com políticas públicas que conseguimos, em parceria com as protetoras, minimizar muitos problemas e sofrimentos através da Secretaria Especial dos Direitos Animais (Seda), a qual eu tive a honra de planejar, com muito carinho. Estamos ainda longe da realidade que queremos, mas já evoluímos muito: foram, desde 2011, 1.590 adoções, 17550 atendimentos veterinários, 26.860 castrações, 26.437 fiscalizações de maus-tratos, 8.122 cirurgias não eletivas e ainda envolvemos 18.510 alunos em palestras sobre proteção e Direitos Animais. A Seda é pioneira no Brasil, foi a primeira secretaria a ser instituída para cuidar exclusivamente do bem-estar animal. Se o trabalho desta secretaria, que começou em 2011, continuar acontecendo, teremos um resultado efetivo de diminuição de animais de rua daqui 15 anos. O trabalho é árduo, não tem fim, precisa de parcerias, da comunidade e das protetoras, exige vontade política e acima de tudo, ter a consciência de que a vida é o bem maior, sem distinções

A causa animal cresceu no Rio Grande do Sul e neste pleito de 2016 elegeu 16 vereadores no interior. A comunidade de Camaquã, compreendendo a necessidade de participação de uma representante no legislativo, escolheu a protetora Ivana de Paula, o que muito me orgulha, pois conheço seu trabalho e sei da sua seriedade e comprometimento à causa. Os espaços nas Câmaras de Vereadores podem trazer à pauta do legislativo novas percepções e quebras de paradigmas.

O pensamento retrógrado que apenas os seres humanos possuem direitos, não trará a evolução necessária que a humanidade busca. Afinal, animais somos todos nós!